Konstantinos - Uranus

domingo, 12 de abril de 2015

Tchaikovsky O Mestre da Música Soviética




Piotr Ilitch Tchaikovsky





Origem: Wikipédia

Piotr Ilitch Tchaikovsky (em russo: Loudspeaker.svg? Пётр Ильи́ч Чайко́вский, por vezes, traduzido Pyotr Ilyich Tchaikowsky); (Kamsko-Wotkinski Sawod, actual Tchaikovsky, 7 de maio de 1840 — São Petersburgo, 6 de novembro de 1893) foi um compositor romântico russo que compôs géneros como sinfonias, concertos, óperas, ballets, para música de câmara e obras para coro para liturgias da Igreja Ortodoxa Russa. Algumas das suas obras encontram-se entre as mais populares do repertório erudito. Este foi o primeiro compositor russo a conquistar fama internacional, tendo sido maestro convidado no final da sua carreira pelos Estados Unidos e Europa. Como exemplo pode considerar-se o concerto inaugural do Carnegie Hall de Nova Iorque, em 1891. Tchaikovsky foi honrado em 1884 com uma pensão vitalícia pelo Imperador Alexandre III.

Tchaikovsky foi educado para ter uma carreira como funcionário público. Na sua época as oportunidades para se ter uma carreira musical (na Rússia) eram escassas e não existia um sistema público de educação musical. Quando surgiu a oportunidade, ingressou no Conservatório de São Petersburgo, onde se graduou em 1865.

A sua vida foi preenchida por crises pessoais e depressões. Estas crises advém do facto de a sua mãe ter falecido prematuramente e do colapso da sua relação com a viúva Nadezhda von Meck. A sua homossexualidade foi sempre mantida em segredo. A sua morte prematura aos 53 anos de idade é atribuída à Cólera, mas especula-se um possível suicídio.

Embora não faça parte do chamado Grupo dos Cinco (Mussorgsky, César Cui, Rimsky-Korsakov, Balakirev e Borodin) composto por compositores nacionalistas russos, a sua música tornou-se conhecida e admirada pelo seu carácter distintamente russo, bem como pelas suas ricas harmonias e vivas melodias. As suas obras, no entanto, foram muito mais ocidentalizadas que as de seus compatriotas, uma vez que utilizava elementos internacionais em simultâneo com melodias populares nacionalistas russas. Tchaikovsky, assim como Mozart, é um dos poucos compositores aclamados que se sentia igualmente confortável escrevendo óperas, sinfonias, concertos e obras para piano.
Biografia
A família Tchaikovsy em 1848.
Piotr Ilitch Tchaikovsky nasceu em 07 de maio de 1840 na cidade de Votkinsk, localizada na província de Vyatka. Sua família teve um longo histórico de serviço militar. Seu pai, Ilya Petrovich Tchaikovsky, foi um engenheiro que serviu como tenente-coronel do Departamento de Minas. Sua mãe, Alexandra Andreyevna (nome de solteira - d'Assier), foi a segunda das três mulheres de Ilya. Ambos os pais de Tchaikovsky tiveram educação nas artes e incentivaram o interesse dos filhos na música.

Tchaikovsky teve quatro irmãos(Nikolay, Ippolit, e os gêmeos Anatoly e Modest), uma irmã, Aleksandra e uma meia-irmã Zinayda proveniente do primeiro casamento de seu pai. O compositor era particularmente próximo de Aleksandra e dos gêmeos. Com o correr do tempo Anatoly obteve uma carreira proeminente, enquanto Modest se tornou dramaturgo, libretista e tradutor. Aleksandra se casou com Lev Davydov e teve sete filhos.

Em 1843 a família contratou Fanny Dürbach, uma governanta francesa de 22 anos, para cuidar das crianças e ensinar francês a Nikolai. Tchaikovsky era inicialmente considerado muito novo para começar os estudos, mas sua insistência convenceu a governanta. Dürbach se provou uma excelente professora, com seis anos o compositor já havia se tornado fluente em francês e alemão. Tchaikovsky se tornou muito apegado à Fanny, a afeição que ele recebia da jovem moça serviu como compensação pela indiferença de sua mãe a qual teria sido descrita como fria, infeliz e distante. Outros afirmam que a mãe tinha um carinho muito grande pelo filho. A governanta guardou muitos dos trabalhos de Tchaikovsky da época, o que inclui suas primeiras composições.

Tchaikovsky começou a tocar orgão com cinco anos. Um precoce talento, se tornou capaz de ler partituras tão habilmente como seu professor em três anos. Seus pais o apoiaram inicialmente, contratando um tutor, comprando uma orchestrina, e encorajando seus estudos no piano. No entanto, a família decidiu em 1850 enviar Tchaikovsky para a Escola Imperial de Jurisprudência em São Petersburgo. Essa decisão pode ter tido razões práticas. Seus pais se tornaram insensíveis em relação ao seu dom musical, pois os únicos caminhos para uma carreira nesse ramo na época eram como professor ou como instrumentista em um dos teatros imperiais. Ambos eram considerados parte do mais baixo nível social, sem mais direitos do que camponeses.

Em 1848 a família fixa-se em São Petersburgo, onde o compositor toma as primeiras aulas teóricas musicais com diversos professores particulares, entre eles o maestro Filipov.

Em 1850 os desejos da família eram que fosse advogado. Foi para a Escola de Direito de São Petersburgo onde cursou até 1859, mostrando-se um estudante muito aplicado, e antes mesmo de se formar foi empregado como funcionário do Ministério da Justiça.

O sofrimento de Tchaikovsky ao abandonar a mãe para frequentar o internato causou um trauma emocional que o atormentou por toda a sua vida. A morte de Alexandra Andreyevna por cólera em 1854, o devastou, afetando-o de tal forma que ele não poderia se comunicar com Fanny Dürbach durante dois anos. A perda o levou a fazer sua primeira composição séria, uma valsa em sua memória.

Tchaikovsky em sua adolescência. (1863)
O pai de Tchaikovsky, que também havia contraído cólera, assim que recuperado, o mandou de volta para a escola, esperando que os estudos ocupassem a mente do garoto. Em compensação por suas perdas e isolação, Tchaikovsky fez amizades duradouras com seus colegas de classe incluindo Aleksey Apukhtin e Vladimir Gerard. A música se tornou um unificador. Enquanto não era uma prioridade oficial na Escola de Jurisprudência, Tchaikovsky a manteve como uma atividade de lazer, frequentando, com regularidade, a ópera com outros alunos. Pyotr também continuou seus estudos no piano com Franz Becker, um fabricante de instrumentos que visitava ocasionalmente a escola, entretanto, de acordo com o musicologista David Brown, os resultados foram desprezíveis.

Em 1855, Ilya começou a pagar aulas particulares de piano para Tchaikovsky com o professor Rudolph Kündinger. Quando o professor foi questionado a respeito da carreira musical do garoto, respondeu que nada sugeria um futuro como compositor ou intérprete. Kündinger posteriormente admitiu que seu julgamento foi baseado em sua própria experiência negativa como músico na Rússia.

Disseram a Tchaikovsky para terminar seu curso e depois tentar um posto no Ministério da Justiça. Mesmo tendo colocado este conselho em prática, seu pai continuou receptivo quanto à carreira musical de Pyotr. Ele simplesmente não conhecia o potencial de seu filho e estava inseguro com relação ao seu futuro.

Em 1863 Tchaikovsky decide dedicar-se inteiramente à carreira musical. Opondo-se totalmente às expectativas da família, abdica da carreira jurídica e se matricula no Conservatório de São Petersburgo, onde permanece três anos. É no Conservatório que Tchaikovsky tem contato com as obras dos grandes mestres alemães, bem como com composições de Glinka, Meyerbeer, Schumann e Liszt. Foi aluno de Anton Rubinstein em orquestração, e de Nikolai Zaremba.

Depois de se formar no Conservatório, Tchaikovsky considerou voltar aos serviços públicos devido às suas necessidades financeiras, entretanto, foi-lhe oferecido, em 1866, um cargo de professor de teoria musical no Conservatório de Moscou que foi mantido até 1878. Embora a oferta incluísse um salário de apenas 50 rublos por mês, aceitou-a. Foi nesta época que recebeu a notícia da primeira apresentação pública de um de seus trabalhos, “Danças Características”, conduzida por Johann Strauss II em um concerto no Parque de Pavlovsk em 11 de setembro 1865. Em 1867 foi um dos designados pelo Conservatório de Moscou a receber oficialmente Hector Berlioz em sua viagem à Rússia.

Em 1868 trava contato com o Grupo dos Cinco, movimento nacionalista russo que compartilhava do ideal de criar uma música fundada sobre o folclore nacional, contra a tutela e influência das escolas francesa e italiana. O grupo era formado pelos compositores Mily Balakirev, César Cui, Modest Mussorgski, Aleksandr Borodin e Nikolai Rimsky-Korsakov.

Sua primeira ópera, Voyevoda, baseada em uma peça de Alexander Ostrovsky, foi estreada em 1869. O compositor ficou insatisfeito com a obra e, tendo usado partes dela em trabalhos posteriores, destruiu o manuscrito.

Em 1870 compôs Undina. Apenas alguns trechos da ópera foram apresentados, tendo ela posteriormente sido destruída. Entre esses projetos, Tchaikovsky começou a compor uma ópera chama Mandragora, para um libreto de Sergei Rachinskii; a única música que completou foi um pequeno coro de Flores e Insetos.

A primeira ópera de Tchaikovsky a sobreviver intacta, foi "O Oprichnik", estreada em 1874. O autor da peça propriamente dita, Ivan Lazhechnikov havia morrido em 1869, Pyotr então, decidiu escrever o libreto ele mesmo, modelando sua técnica dramática na de Eugène Scribe.
A última das primeiras óperas, "Vakula, o ferreiro", foi composta na segunda metade de 1874. O libreto baseado em "Véspera de Natal" de Gógol deveria ter sido musicalizado por Alexander Serov, mas com a morte do mesmo, Tchaikovsky assumiu o cargo.
Em 1875 viaja pela Europa e conhece em Paris Saint-Saëns, Franz Liszt, Georges Bizet e Jules Massenet.
Em 1876 Nikolai Rubinstein apresenta o compositor à baronesa Nadyezhda von Meck, que se sente profundamente atraída pela obra de Tchaikovsky. Inicialmente a baronesa o incumbe em algumas transcrições para violino e piano, mas em seguida se converte em mecenas de Tchaikovsky, sob a única condição de comunicarem-se somente por carta. Essa correspondência durou quatorze anos, sem nunca terem se visto. O mecenato resguardou Tchaikovsky de dificuldades financeiras durante esse tempo. (A Sinfonia nº 4 em fá menor, opus 36, é dedicada à baronesa) Nesse mesmo ano de 1876, recebe o encargo de coreógrafo do Teatro Bolshoi de Moscou, onde nasce o ballet O Lago dos Cisnes. O mecenato da baronesa von Meck possibilitava Tchaikovsky dedicar-se exclusivamente a composição, então em 1878 deixa sua cátedra no Conservatório de Moscou.
Em 1880 Nikolai Rubinstein o incumbe de compor uma abertura sinfônica-coral de tema patriótico, prevista para a inauguração da uma exposição em Moscou: nasce a Abertura 1812.
Em 1892 já não conta mais com a ajuda da baronesa von Meck. Sua irmã Alexandra morre. E aos cinquenta anos tem a aparência de um homem muito mais velho.
Em junho de 1893 Tchaikovsky recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Cambridge. Em outubro do mesmo ano sua saúde se agrava profundamente. Em 6 de novembro de 1893 Tchaikovsky morre aos 53 anos, em São Petersburgo.
Sexualidade
Tchaikovsky possuiu claras tendências homossexuais; Alguns dos relacionamentos mais íntimos do compositor foram com homens. Procurou a companhia de outros atraídos pelo mesmo sexo em seu círculo por longos períodos, associando-se abertamente e estabelecendo conexões profissionais com eles.

Tchaikovsky sabia das consequências negativas que o conhecimento público de sua orientação podia trazer, especialmente em sua família. Seu pai ainda esperava que o compositor se casasse (e talvez não soubesse da orientação do filho). Tchaikovsky sempre pareceu incomodado com a própria orientação. Às vezes escrevia com pesar em seu diário: “O que posso fazer para ser normal?”. Era um comportamento que se contrapunha ao do próprio irmão, Modest, que também era gay e viveu de maneira relativamente equilibrada, tendo inclusive um relacionamento de 17 anos com Nikolai Konradi (ou 'Kolia'), um menino surdo e mudo a quem tutelava. Graças à presença deste irmão também homossexual, Tchaikovsky conseguia ao menos ter um confidente.

Mesmo levando-se em conta sua situação, Tchaikovsky não negligenciou as convenções sociais e permaneceu conservador por natureza. Sua vida amorosa continuou complicada. Uma combinação de educação, timidez e profundo compromisso com os parentes o impediu de viver abertamente com um amante masculino. Regularmente procurou encontros anônimos, muitos dos quais relatou a Modest, às vezes, demonstrando remorso. Também tentou ser discreto e ajustar seus gostos às convenções da sociedade russa. No entanto, muitos de seus colegas, especialmente aqueles mais próximos a ele, podem ter conhecido ou adivinhado a sua verdadeira natureza sexual. A decisão de Tchaikovsky em entrar em uma união heterossexual e tentar levar uma vida dupla foi motivada por vários fatores, a possibilidade de exposição, a disposição para agradar seu pai, seu próprio desejo de um lar permanente e seu amor pelas crianças e familiares.

Casamento mal sucedido
Foi durante uma crise de meia-idade, aos 36 anos, que o compositor revelou por carta a Modest, seu irmão e confidente, uma decisão contrária ao seu próprio desejo:
Agora estou passando por um período muito crítico em minha vida. Eu vou entrar em mais detalhes mais tarde, mas por agora vou simplesmente dizer-lhe: eu decidi me casar. É inevitável. Eu tenho que fazer isso não apenas para mim, mas por você, Modest, e por todos aqueles que amo. (...) Como é terrível pensar que aqueles que me amam possam, por vezes, sentir vergonha de mim. Em suma, eu procuro casamento ou algum tipo de envolvimento público com uma mulher, para calar a boca de várias criaturas desprezíveis cujas opiniões não significam nada para mim, mas que estão em posição de causar sofrimento aos que estão perto de mim.
A união de fachada aconteceu na Igreja de São Jorge, em Moscovo, no mês de julho de 1877. Tchaikovsky casou-se com Antonina Milyukova, uma mulher de 28 anos, sua ex-aluna no Conservatório de Música de Moscou. Na verdade, ela o havia conhecido muito antes, quando tinha apenas 16 anos, na casa de amigos. Foi lá que se apaixonou platonicamente por ele, decidindo largar tudo pra estudar música ao seu lado. Anos depois de abandonar a escola por dificuldades financeiras, ela escreveu para o compositor, declarando seu envolvimento. Foi nesta ocasião que Tchaikovsky pensou numa possível companheira por conveniência.
Questões de dinheiro e uma incapacidade para compor agravaram a situação e levou Tchaikovsky a níveis profundos de desespero. O casal viveu junto por apenas dois meses antes da crise emocional que o obrigou a deixar a cidade. Pyotr viajou para Clarens, na Suíça para descanso e recuperação. Ele e Antonina permaneceram casados legalmente, mas nunca viveram juntos novamente e nem tiveram filhos, embora Antonina mais tarde tivesse dado à luz a três filhos por outro homem.
"Somente agora, após meu casamento, começo a entender que nada é mais inútil do que não querer assumir como somos", escreveu.
Crescimento público
Apesar de seu desprezo por sua vida pública, Tchaikovsky agora a aceitava tanto como consequência de sua crescente fama, quanto pela obrigação pessoal que sentia em promover a música russa. O compositor também atuou como diretor da filial de Moscovo da Sociedade de Música Russa entre 1889 e 1900. Neste posto, o compositor convidou muitas celebridades internacionais para conduzir a orquestra, inclusive Johannes Brahms, Antonín Dvořák e Jules Massenet, embora nem todas tivessem aceitado.

Tchaikovsky também promoveu a música russa como condutor, procurando estabelecer-se no mundo musical por pelo menos mais uma década. Pyotr estava em demanda considerável por toda a Europa e Rússia, o que o ajudou a superar o medo do palco e aumentou sua autoconfiança. Sua condução o trouxe para a América em 1891, onde liderou a Sociedade de música de Nova Iorque em março, no concerto inaugural do Carnegie Hall.
Morte                      
A última casa onde Tchaikovsky morou, em Klin.
Em 28 de outubro de 1893 Tchaikovsky realizou a estreia de sua Sexta Sinfonia, a Patética em São Petersburgo. Nove dias depois, o compositor morreu aos 53 anos. Foi enterrado no Cemitério Tikhvin no Mosteiro Alexander Nevsky, perto dos túmulos dos companheiros compositores Alexander Borodin, Mikhail Glinka, e Modest Mussorgsky, mais tarde, Rimsky-Korsakov, Balakirev também foram enterrados nas proximidades.

Até hoje, a cada biografia sobre a vida do compositor, surge uma nova teoria ou detalhe sobre a causa de seu falecimento. Embora a morte de Tchaikovsky, tradicionalmente, tenha sido atribuída à cólera, provavelmente contraída através da água potável contaminada, se apresentam teorias diferentes. Já foram descritos casos de supostos assassinatos ou suicídios.

Nesta última linha, uma surpreendente hipótese foi revelada pela musicóloga soviética Alexandra Orlova em 1978. Segundo sua apuração, um membro da aristocracia russa havia escrito uma carta direcionada ao czar Alexandre III acusando Tchaikovsky de seduzir e manter um relacionamento sexual com seu sobrinho de 17 anos. A carta, porém, não foi entregue diretamente ao czar, mas aos cuidados de um funcionário, Nikolay Jacobi, que coincidentemente estudou com Tchaikovsky na Escola de Direito de São Petersburgo.

Escandalizado com o conteúdo da correspondência e temendo que a história manchasse a reputação da Escola, Jacobi não entregou a carta. Preferiu instituir uma corte de honra incluindo outros seis companheiros da Instituição para discutir o assunto e tomar uma decisão. Foi assim que convocaram Tchaikovsky para uma reunião que durou cerca de cinco horas. Nela, induziram o compositor a dar fim à própria vida antes que o pior acontecesse. Caso a denúncia se tornasse pública, Tchaikovsky poderia ser exilado, perderia seus direitos civis e teria sua imagem manchada para o resto da vida, prejudicando familiares, ex-alunos, amigos e companheiros. Ao sair da reunião cambaleante e pálido, o compositor teria decidido ingerir arsênico, morrendo no dia 06 de novembro de 1893. Por ser considerada uma versão aparentemente sensacionalista, muitos historiadores questionam essa hipótese, mesmo que ela tenha sido confirmada por alguns conhecidos de Tchaikovsky.

Obra
Lista das obras de Tchaikovsky
Valsa em fá sustenido menor
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Valsa em fá sustenido menor, de Doze peças para piano, Op. 40, No. 9, gravado em meio digital por Kevin MacLeod
Abertura de Romeu e Julieta
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Abertura de Romeu e Julieta; executado pela Skidmore College Orchestra
Abertura 1812
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Abertura 1812; executado pela Skidmore College Orchestra

Balés
Tchaikovsky talvez seja mais conhecidos por seus bailados, no entanto foi apenas no fim de sua carreira, com seus dois últimos balés, que seus contemporâneos passaram a apreciar suas qualidades como autor desse género.
(1875–1876): O Lago dos Cisnes, Op. 20. O primeiro balé de Tchaikovsky foi encenado pela primeira vez (com algumas omissões) no Teatro Bolshoi em Moscou em 1877.
(1888–1889): A Bela Adormecida, Op. 66. Considerado um dos melhores trabalhos de Tchaikovsky. Encenado pela primeira vez em 1890 no Teatro Mariinsky em São Petersburgo.
(1891–1892): O Quebra Nozes, Op. 71. Tchaikovsky não ficou muito satisfeito com esta obra, seu último balé.
Óperas
Tchaikovsky escreveu onze óperas:
Voyevoda (1867/68)
Undina (1869)
O Oprichnik (1870/72)
Vakula, o Ferreiro (1874)
Eugene Onegin (1877/78)
A Dama de Orleans (1881)
Mazeppa (1884)
Cherevichki (1885)
A Feiticeira (1887)
Dama de Espadas (1890)
Iolanta (1892)
Sinfonias
As sinfonias mais antigas de Tchaikovsky são normalmente trabalhos alegres de caráter nacionalista, enquanto as últimas tratam do destino, perturbação e, em especial a Patética, desespero. As três últimas de suas sinfonias numeradas (quarta, quinta e sexta) são consideradas obras-primas e são freqüentemente executadas. Existe ainda uma "Sétima Sinfonia" que é uma compilação de temas musicais descartados pelo compositor e reunidos após a sua morte pelo compositor soviético Semyon Bogatyrev e lançada como "Sinfonia Nº 7 em Mi Bemol Maior". 1235

(1866): n.º 1 em sol menor, Op. 13, "Sonhos de um dia de Inverno"
(1872): n.º 2 em dó menor, Op. 17, "Pequeno Russo"
(1875): n.º 3 em ré maior, Op. 29, Polonesa
(1877–1878): No. 4 em fá menor, Op. 36
(1885): Sinfonia Manfredo, si menor, Op. 58. Baseada no poema dramático Manfredo, de (Lorde Byron).
(1888): n.º 5 em mi menor, Op. 64
(1893): n.º 6 em si menor, Op. 74, Patética
Tchaikovsky também escreveu quatro suítes para orquestra entre a Quarta e a Quinta Sinfonias. Ele pretendia chamar uma ou mais delas de "sinfonias", mas foi convencido a mudar os títulos.

Concertos
(1874–1875): Dos seus três concertos para piano, é o No.1 em Si Bemol Menor, Op. 23, que é o mais conhecido e admirado. Ele foi inicialmente rejeitado pelo pianista Nikolai Grigorievitch Rubinstein, como mal-escrito e impossível de ser tocado, e depois estreado por Hans von Bülow (que ficou encantado em tocar uma peça dessa qualidade) em Boston, 1875. Van Cliburn, um norte-americano, conquistou a primeira Competição Internacional Tchaikovsky com esta obra deixando os cidadãos russos atordoados, pois esse prêmio havia sido criado para celebrar a Rússia e os russos.'
(1878): Seu Concerto para violino e orquestra (Tchaikovsky) em Ré Maior, Op. 35, foi composto em menos de um mês, entre Abril e Maio de 1878, mas sua primeira execução ocorreu apenas em 1881 porque Leopold Auer, o violinista para quem Tchaikovsky pretendia dedicar a obra, se recusou a tocá-la. Este concerto é considerado um dos melhores já feitos para o instrumento e é muitas vezes executado hoje em dia.
(1889): O chamado "Terceiro Concerto para Piano em mi bemol maior", Op. 75, tem uma história curiosa. Ele foi iniciado após a Quinta, e deveria ser a próxima sinfonia, ou seja, a Sexta. No entanto Tchaikovsky abandonou essa obra e concentrou seus esforços naquela que hoje nós conhecemos como a Sexta Sinfonia, um trabalho totalmente diferente (a Patética). Após a morte de Tchaikovsky o compositor Sergei Taneyev trabalhou a sinfonia abandonada, adicionou uma parte em piano, e a lançou como o "Terceiro Concerto para Piano de Tchaikovsky".
Outros trabalho  Para orquestra

Abertura 1812, completa (com canhões), foi executada em 2005 no Clássicos Espetaculares
(1869, rev, 1870, 1880): Abertura-Fantasia Romeu e Julieta Esta peça contém uma das melodias mais famosas do mundo. O tema romântico do meio desta obra foi utilizado milhares de vezes em comerciais e filmes.
(1876): Marcha Eslava, Op. 31. Esta é outra peça muito conhecida e normalmente executada em conjunto com a Abertura 1812. Tchaikovsky usa o Hino Nacional Tsarista assim como na Abertura 1812, mas o que a torna peculiar é que o tema é russo, e não eslavo.
(1876): Francesca da Rimini, Op. 32
(1880): Abertura 1812, Op. 49. Tchaikovsky escreveu esta peça para comemorar a vitória russa sobre Napoleão nas Guerras Napoleônicas. Ela é conhecida pelos temas de música russa tradicional (como o velho Hino Nacional Tsarista) assim como pelo triunfante e bombástico final, com dezesseis tiros de canhão e o coro de sinos.
Para coral, cantos, música de câmara, e piano solo[editar | editar código-fonte]
(1871) Quarteto de cordas No. 1 em ré maior, Op. 11
(1876) Variações sobre um Tema Rococó, para violoncelo e orquestra, Op. 33.
(1876) Suíte para piano "As Estações" Op. 37a
(1882) Trio para piano, violino e violoncelo em lá menor, op. 50
(1886) Dumka, Cena Rústica Russa em dó menor, para piano
(1890) Sexteto para cordas "Souvenir de Florence", Op. 70
Para uma lista completa dos trabalhos de Tchaikovsky (em inglês) veja [1]. Para detalhes das datas das composições visite [2].

sábado, 11 de abril de 2015

Obama instiga América Latina sobre direitos humanos conforme corteja Cuba

O presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta o presidente de Cuba Raul Castro durante encontro na Cúpula das Américas na Cidade do Panamá (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)


Obama instiga América Latina sobre direitos humanos conforme corteja Cuba
sábado, 11 de abril de 2015
Por Matt Spetalnick e Daniel Trotta

 O presidente dos EUA  Barack Obama cumprimenta o presidente de Cuba Raul Castro durante encontro na Cúpula das Américas na Cidade do Panamá (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)
O presidente dos EUA Barack Obama cumprimenta o presidente de Cuba Raul Castro durante encontro na Cúpula das Américas na Cidade do Panamá (Foto: Jonathan Ernst/Reuters)
CIDADE DO PANAMÁ (Reuters) - O presidente norte-americano Barack Obama desafiou os líderes latino-americanos neste sábado a melhorarem os direitos humanos e a democracia, enquanto ele trabalha para colocar fim a décadas de hostilidade entre os Estados Unidos e Cuba.

Obama ganhou elogios em grande parte da América Latina por tentar reatar as relações diplomáticas com Cuba e apertou a mão do presidente Raul Castro em uma demonstração de tranquilidade na sexta-feira à noite, mas assumiu uma linha mais dura neste sábado, em seu discurso na plenária da VII Cúpula do Américas no Panamá.

"Eu acredito que os nossos governos juntos têm a obrigação de defender a liberdade e os direitos universais de todos os nossos cidadãos", disse Obama a outros líderes de todas as Américas. "As vozes dos nossos cidadãos devem ser ouvidos."

Respondendo às críticas de outros líderes acerca da política dos EUA no passado na América Latina, incluindo o seu apoio de golpes militares e ditaduras durante a Guerra Fria, Obama disse que o histórico de Washington estava longe de ser perfeito, mas que mudou e que ele continuaria a pressionar por uma maior democracia.

"Eu só quero deixar bem claro que quando falamos em algo como os direitos humanos, não é porque nós pensamos que somos perfeitos, mas é porque pensamos que a ideia de não prender as pessoas se eles não concordam com você é a ideia certa", disse Obama.

Acenando com as mãos para dar ênfase, Castro condenou os Estados Unidos por suas tentativas de derrubar o regime comunista na ilha, mas ele elogiou Obama como "um homem honesto" e disse que ele não era o culpado por políticas dos Estados Unidos durante a Guerra Fria.

"Peço desculpas ao presidente Obama, porque ele não é responsável por nada disso", disse o líder cubano de 83.

Obama e Castro devem se reunir ainda neste sábado para discutir o progresso na sua meta, anunciada por ambos em dezembro, de reestabelecer relações diplomáticas plenas e liberar o comércio e as viagens entre os dois países.   Eles apertaram as mãos na cerimônia de abertura da cúpula na sexta-feira à noite, um gesto destacando a melhora gritante nas relações ao longo dos últimos meses.

Obama, de 53 anos, parece perto de retirar Cuba de uma lista norte-americana de países que os EUA dizem que patrocinam o terrorismo. Castro tem insistido na questão como condição para restaurar os laços diplomáticos.

Em seu discurso, Castro celebrou o anúncio do presidente norte-americano de que ele vai decidir rapidamente sobre a presença de Cuba na lista e prometeu diálogo respeitoso conforme os Estados Unidos buscam a aproximação.

(Com reportagem adicional de Dave Graham)

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447764))
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Novena Perpetua ao Menino Jesus de Praga

História do Menino Jesus de Praga



Menino Jesus de Praga


Menino Jesus de Praga

Menino Jesus de Praga é uma devoção que existe na cidade de Praga, na antiga Tchecoslováquia. Hoje Praga é a capital da chamada República Checa. A imagem fica na Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa.
História de Menino Jesus de Praga

Vilem de Rozumberk, Imperador da Tchecoslowáquia, fundou um Convento Carmelita após conseguir grande vitória numa batalha importante. Foi um ato de agradecimento. Tempos mais tarde, o convento começou a passar por grande crise. Os padres carmelitas, então, pediram ajuda a Deus.
Logo, receberam a visita da Princesa Polixene Lobkwitz, que estava em seus últimos dias de vida. Ela levou aos padres uma grande oferta em dinheiro que os tirou da crise. A princesa prometeu dar aos padres uma bela imagem do menino Jesus, vestido de Rei, com o globo terrestre na mão esquerda e a mão direita levantada para abençoar.
A princesa então disse aos padres: Meus padres, vos dou o que de mais caro possuo, honrai essa imagem do menino Deus e nada lhes faltará. A imagem do Menino Jesus, de fato, foi entregue aos carmelitas logo após o falecimento da princesa. E como a Princesa havia falado, o convento não passou mais necessidades.
Origens da imagem do Menino Jesus de Praga

A ligação da devoção ao Menino Jesus e os carmelitas já vinha de longa data. Santa Tereza D’Ávila, diz al tradição, teria sido a primeira pessoa a vestir o Menino Jesus com roupas de rei. Foi ea quem introduziu a devoção ao menino Jesus nos conventos carmelitas.
Conta-se que a mãe da Princesa Polixene, que era espanhola, tinha ganhado a imagem da própria Santa Tereza D’Ávila. Quando Polixene se casou com um nobre tcheco, ela ganhou a imagem de sua mãe e a levou para a Tchecoslowáquia. Antes de sua morte, a princesa fez questão de dar a imagem aos carmelitas, como uma homenagem a Santa Tereza.
Invasão da cidade de Praga

No ano de 1630, a violência assolou a cidade de Praga. Os protestantes aliados ao rei da Suécia invadiram e saquearam a cidade. Todos fugiram, inclusive os carmelitas. A imagem do Menino Jesus foi jogada atrás do altar. Ali ela permaneceu por mais de sete anos. Todos pensavam que ela tinha sido destruída pelos invasores.
Redescoberta da imagem

Depois de mais de sete anos da invasão protestante, quando a poeira já havia baixado, um carmelita, Padre Cirilo, voltou para o convento em Praga e encontrou a imagem perdida. Ela estava com as duas mãos quebradas. Feliz, o Padre a recolocou na igreja de Nossa Senhora das vitórias.
Restauração da Imagem do Menino Jesus de Praga

Certo dia, quando o padre Cirilo estava em profunda oração, ouviu uma voz que lhe dizia: Tem piedade de mim e eu terei de ti. Restitui-me as minhas mãos e eu vos darei a paz. Quanto mais me honrardes, mais eu vos favorecerei.
Em outro dia de profunda oração e súplicas o padre ouviu o Menino Jesus lhe dizer: Põe-me à entrada da sacristia e alguém terá piedade de mim. Então um senhor muito rico chegou ali e se ofereceu para restaurar a imagem. Quando ela ficou pronta, foi entronizada na mesma igreja em que estava e o convento passou a ter dias melhores.
Os milagres do Menino Jesus de Praga

Por causa deste acontecimento a devoção ao menino Jesus de Praga começou a se estender pela redondeza. Vários milagres começaram a acontecer quando os fiéis rezavam ao Menino Jesus de Praga. Por isso, a devoção se espalhou por toda a Europa e depois para o mundo. Ainda hoje, a cidade de Praga é famosa por causa da devoção ao Menino Jesus de Praga.
A devoção no Brasil

Foram os padres carmelitas que trouxeram uma imagem e a devoção ao menino Jesus de Praga para o Brasil. Ela chegou primeiro na cidade do Rio de Janeiro. Lá, ela foi entronizada na Basílica de Santa Terezinha.
Os carmelitas difundiram a promessa do Menino Jesus: Quanto mais me honrardes, tanto mais vos favorecerei. Por causa dessa promessa, a devoção se tornou cada vez mais conhecida em muitos lugares.


Oração ao Menino Jesus de Praga


Ó menino Jesus, a vós recorro e a vós suplico pela intercessão de vossa Santíssima Mãe, assisti-me nesta necessidade, (pedir a graça), porque creio firmemente que vossa Divindade pode me socorrer. Espero com toda confiança obter vossa santa graça. Amo-vos de todo o meu coração e com todas as forças da minha alma. Arrependo-me sinceramente de todos os meus pecados, e vos imploro, ó bom Jesus, que me fortaleça para que eu possa ser vitorioso.  Proponho-me a não vos ofender e me ofereço a Vós, dispondo-me a sofrer, antes de vos fazer sofrer.
Doravante, quero servir-vos com toda fidelidade, e por vosso amor, ó menino Deus, amarei o meu próximo como a mim mesmo. Menino Onipotente, Senhor Jesus, mais uma vez vos suplico que me atenda nesta necessidade. Concedei-me a graça de vos possuir eternamente, na companhia de Maria Santíssima e São José, para que possa vos adorar com todos os anjos na corte celestial. Amém.

FMI vê queda de 1% do PIB brasileiro em 2015 e prevê retomada do crescimento com ajustes

FMI vê queda de 1% do PIB brasileiro em 2015 e prevê retomada do crescimento com ajustes
sexta-feira, 10 de abril de 2015
 18/04 2013. REUTERS/Yuri Gripas
SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a economia brasileira irá encolher 1 por cento este ano, e que a retomada do crescimento depende em grande medida da implementação das medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo, de acordo com documento divulgado pela entidade internacional nesta sexta-feira.

No documento, o Fundo considera "prioridade imediata" a resolução de questões ligadas à Petrobras e encoraja o governo a fortalecer a governança das empresas estatais do país.

As considerações foram feitas após visita de funcionários do FMI ao Brasil, dentro do cronograma de consultas periódicas realizadas aos países membros, e que depois são avaliadas pela diretoria do organismo.

O FMI disse que as políticas fiscal e monetária mais restritivas e os cortes de investimento da Petrobras devem piorar neste ano cenário para a atividade econômica, que já vem se deteriorando desde do ano passado

Por outro lado, o documento apontou que o sucesso na implementação do ajuste fiscal e outras medidas podem contribuir para o fortalecimento da confiança, ajudando a atrair investimentos no fim de 2015 e consolidando as bases para a volta do crescimento no ano que vem. O FMI projeta crescimento de 0,9 por cento do PIB em 2016 e de 2,2 por cento em 2017.

Os diretores do Fundo também apontaram a necessidade de reformas para impulsionar a produtividade e a capacidade de crescimento econômico, recomendando prioridade na área de investimento em infraestrutura e iniciativas para melhorar, por exemplo, a eficiência tributária.

"A priorização de reformas e maior participação do setor privado serão chave para o sucesso", disse trecho do documento.

Nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mostrou discurso afinado com o do FMI depois de participar de reunião com secretários da Fazenda dos Estados, reforçando a importância da convergência de alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e ressaltando que a agenda de infraestrutura estaria entre os próximos passos do governo. [nL2N0X70Y9] [nE5N0WX007]

"A palavra-chave para o investimento é a parceria com mercados de capitais e setor financeiro", disse o ministro.
O FMI se mostrou preocupado com a situação das contas externas brasileiras, que classificou de "mais fraca do que o desejado", após o déficit em conta corrente ter subido para 4,2 por cento do PIB em 2014, ante 2,4 por cento em 2012.

[nE6N0V201W]

Mas o organismo saudou a recente decisão do Banco Central de diminuir as intervenções no câmbio e recomendou que as interferências sejam feitas apenas para suavizar a excessiva volatilidade do mercado, "permitindo assim uma maior depreciação da taxa de câmbio em linha com os fundamentos e a promoção da competitividade externa".

POLÍTICA MONETÁRIA

No relatório, os diretores do Fundo concordaram, de maneira geral, com a manutenção da política monetária apertada e saudaram o comprometimento com a meta de inflação e prontidão para tomar novas medidas de forma a não ameaçá-la. O FMI estima que a inflação medida pelo IPCA fechará o ano em 7 por cento--acima do teto da meta--, desacelerando em 2016 para 5,4 por cento.

No início de março, o Banco Central deu prosseguimento ao aperto nos juros básicos da economia, elevando a Selic a 12,75 por cento ao ano.

(Por Flavia Bohone e Marcela Ayres)

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A fúria da gripe espanhola











A fúria da gripe espanhola

No início da década de 20, enquanto a Europa reunia os cacos da Primeira Guerra, um inimigo ainda mais devastador assustou o mundo todo e, em dois anos, matou mais de 30 milhões de pessoas: a gripe

Moacyr Scliar

Os sintomas todo mundo conhece: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, mal-estar geral, tosse e coriza, ou seja, corrimento nasal. No entanto, esse quadro que hoje se resolve com um comprimido e alguns dias repouso podia significar uma sentença de morte se você vivesse no início do século, mais precisamente em 1918. É que nesse ano uma epidemia de gripe se espalhou pelo mundo e matou entre 30 e 100 milhões de pessoas. A doença, uma variação do vírus da gripe comum, causava um terrível agravamento dos sintomas e ficou conhecida como gripe espanhola, ou apenas a espanhola.
Na época ninguém conhecia a causa da doença. O microscópio já era usado e muitas bactérias causadoras de enfermidades tinham sido identificadas, já a partir do século 19. Mas os equipamentos não eram lá muito potentes e não podiam mostrar os vírus, que são muito menores que bactérias. Assim, a causa da gripe era (e permaneceu até recentemente) uma incógnita. Ela era associada ao frio. O termo influenza, que é usado como sinônimo para gripe, fala disso. Vem do italiano influenza di freddo, “influência do frio” (de influenza surgiu o nome inglês para a gripe – flu). De fato, é uma doença dos meses frios. Nessa época, tendemos a ficar confinados em casa e o vírus pode passar facilmente de uma pessoa para outra.

Também não se tinha certeza que na Espanha tenham surgido os primeiros casos, ainda que o rei espanhol Afonso XIII tenha sido uma das primeiras vítimas ilustres da doença. Muitos pesquisadores defendem a idéia de que a doença começou não na Europa, mas nos Estados Unidos, e foi levada para a Europa pelos soldados que combateram na Primeira Guerra. Ao certo, sabe-se que foi na Espanha que surgiram as primeiras notícias sobre a doença: o país, neutro no conflito, não impunha a censura à imprensa, como acontecia com as potências beligerantes. Assim que a doença surgia em outros países, era logo chamada de “espanhola”. A moda de uns países atribuírem a outros a origem de doenças não é nova: quando a sífilis apareceu, na Idade Média, os franceses chamavam-na de “mal napolitano”, e os italianos de “mal francês”.

Mesmo a expressão gripe espanhola (ou ainda “La Dansarina”) deu lugar, em alguns países, a distintas denominações. Na Rússia soviética era chamada febre siberiana, na Sibéria febre chinesa e na Espanha (que afinal também tinha de se defender) febre russa. A enfermidade se disseminou rapidamente, chegando ao Sudeste Asiático, à China, ao Japão, ao Caribe, às Américas: cerca de um quinto da humanidade contraiu a doença. A letalidade – isto é, a proporção de mortes entre os doentes – era altíssima, duas vezes e meia maior que nos casos de gripe comum. Estima-se que a gripe tenha matado no mundo todo de 20 a 100 milhões de pessoas – muito mais que a Primeira Guerra (cerca de 15 milhões de vítimas) ou mais do que a aids.

A pandemia de gripe devastou populações inteiras. Alguns historiadores acham inclusive que a guerra de 1914-18 pode ter terminado mais cedo por falta de soldados. O fim da guerra, aliás, não significou o fim da pandemia: a Alemanha, derrotada, recebia de volta 6 milhões de ex-soldados desmoralizados e famintos. Isto sem falar em outras regiões do mundo, como África, Índia e China, onde a ausência de dados tornava impossível avaliar a extensão da hecatombe. No Alasca populações foram dizimadas pelo mal que os esquimós acreditavam ser causado por um “espírito branco”. Em Londres, cartazes afixados nos teatros proibiam expressamente tossir. E, nos Estados Unidos, o costume de apertar as mãos foi praticamente abandonado.

A doença se propagou em duas gigantescas ondas: a primeira, na primavera e no verão de 1918. Nessa fase, a gripe era muito contagiosa, mas causou relativamente poucas mortes. Em agosto, contudo, uma forma altamente virulenta da doença disseminou-se pelo mundo, chegando ao auge nos meses de setembro a novembro (ou seja, o outono do hemisfério norte). A curva que mostrava os óbitos por faixas etárias tinha a forma de um W, com três picos, um correspondendo a crianças pequenas, outro a adultos jovens (o que era uma novidade; pensava-se que esse era um grupo mais resistente) e um terceiro, que era o dos idosos. Nos Estados Unidos a expectativa de vida, isto é, o número de anos que uma pessoa pode esperar viver desde o nascimento, foi reduzida em dez anos.
Os brasileiros foram atingidos pela gripe antes mesmo que a doença chegasse ao país. Uma divisão que o governo enviara em navio para participar da guerra adoeceu enquanto a esquadra que transportava os militares estava ancorada em Dacar, Senegal: 156 mortos. E o país não poderia escapar à espanhola. Ainda que as viagens aéreas, que difundiram a Sars (pneumonia que no ano passado causou pânico no Sudeste Asiático), não fossem comuns à época, muita gente viajava de navio – e o país estava recebendo então grandes contingentes migratórios. Em setembro de 1918 chegava um navio com imigrantes vindos da Espanha, vários dos quais com sintomas de gripe. Outros navios foram apontados, entre eles o inglês Demerara, que atracou em Recife e Salvador, mas o certo é que no início de novembro de 1918 a doença já estava no Brasil. As cidades portuárias foram as que mais sofreram.

“Já morrem 24 pessoas por dia em Coritiba”, dizia uma manchete do dia 14 de outubro. Na mesma data, um anúncio: “Precisa-se de dois cocheiros na Empreza Funerária de P. Falce”. Essas manchetes dos jornais da época reproduzidas no livro O Mez da Grippe (assim mesmo, com essa grafia), de Valêncio Xavier, dão uma idéia do quadro assustador. A reação entre os curitibanos foi de pânico. Por causa disto, as notícias a respeito foram censuradas. O livro mostra a primeira página do jornal Diário da Tarde, em que, de um artigo sobre “A Influenza”, só ficou o título – o resto está em branco. Já o Commercio do Paraná adotou uma atitude diferente; a epidemia seria apenas uma gripe comum. Mas teve de admitir, em 25 de outubro: “A nossa edição de hontem saiu muito aquem da expectativa em conseqüência de terem adoecido operários da secção da composição, obrigando-nos assim ao sacrifício de materia redaccional cuja inserção foi absolutamente impossivel.”

Em outras cidades a repercussão não foi menor. A imprensa carioca estava cheia de notícias alarmantes – e de protestos contra as autoridades sanitárias, consideradas omissas: “O que se está passando na Saúde do Porto da nossa capital é simplesmente assombroso. Os navios entram infeccionados, os passageiros e tripulantes atacados saltam livremente contribuindo para contaminar cada vez mais a cidade, não soffrendo os navios o mais rudimentar expurgo! [...] Telegrammas chegados ha dias de Estados do Norte, annunciaram detalhadamente dezenas de casos de ‘influenza hespanhola’ occoridos a bordo da ‘Itassucê’. Era o caso do Sr. Carlos Seidl tomar providencias energicas, para isolar os enfermos e expurgar o navio, mal chegasse elle á Guanabara, si s.ex levasse a sério seus deveres. Nada disso, entretanto, aconteceu. O ‘Itassucê’ chegou, foi desimpedido e os doentes desceram calmamente á terra, sem que o director da Saude Publica mandasse tomar a minima providencia!” (Rio Jornal, 11 de outubro de 1918).

Ou esta outra notícia: “Em todas as ruas, e a todas as horas, vemos cahir subitamente, tombar sobre a calçada victimas do mal estranho. Os hospitais estão repletos.” (Rio Jornal, 14 de outubro de 1918). A criticada “medicina official”, como aconteceu com as autoridades em Curitiba, tentava minimizar o problema e evitar o pânico. Mas, no final de 1918, a gripe era, no Brasil e no mundo, uma realidade brutal. O jornal A Rua, de 15 de outubro de 1918, fazia uma denúncia: “Desde as primeiras horas em que se declarou a epidemia que a romaria ás pharmacias não parou nem um instante. Houve então uma grande desorientação e uma ignobil exploração por parte de algumas pharmacias. Os preços variavam de pharmacia para pharmacia e de bairro para bairro. O tubo de bromo-quinino passou a custar de 1500 a 8 mil e 9 mil réis. Uma limonada purgativa 4, 6 e 8 mil réis. Uma capsula com 25 ctgrs. de Sulphato de Quinino custava 400 réis, no maximo, custa 2 e até 3 mil réis! É o furto, parecendo que nem se quer estamos numa cidade policiada! Mas a necessidade era grande e os doentes nos milhares, o que fez com que apezar do descabido escandaloso dos preços, os medicamentos se esgotassem. Várias pharmacias, especialmente nos suburbios, allegam tambem a doença do seu pessoal. Que será da população sem ter sequer medicamentos”?

Esses medicamentos, diga-se, não tinham qualquer efeito sobre a doença. O quinino era usado para malária, que é, porém, uma enfermidade totalmente diferente da gripe, causada por protozoário e não por vírus. Também eram inócuos os “Conselhos aos que se acham no inicio da infecção”, dados pela Diretoria Geral de Saúde Pública, e que começavam com um purgativo forte (além de ter gripe, a pessoa ficava também com diarréia). Em termos de dieta, indicava-se a tradicional canja de galinha (que pelo menos, a exemplo da cautela, não fazia mal a ninguém). O resultado foram saques aos armazéns atrás de frangos. Diante disso a Diretoria Geral de Saúde Pública voltou atrás: “O uso do frango ou da gallinha não é indispensavel. A dieta poderá ser mantida por meio de leite, caldo de sopa de cereaes, de legumes, de lentilhas, de arroz, aveia, centeio, etc., etc.”

E continuava: “Fazer diariamente uso de uma solução de essencia de canela, conforme as seguintes dóses: uma colherinha das de café em meio copo de agua assucarada, de duas em duas horas, até desapparecer a febre. Depois tomar uma colherinha em meio copo de agua tres vezes ao dia.”
Claro, é fácil achar graça dessas medidas quase 90 anos depois, mas os médicos recomendavam aquilo que imaginavam ser útil. É preciso dizer que a campanha contra a gripe era comandada por ninguém menos que o sanitarista Carlos Chagas, descobridor da doença que leva seu nome, grande pesquisador e um dos discípulos prediletos de Oswaldo Cruz. Entre os conselhos da saúde pública, havia alguns apropriados: evitar aglomerações, guardar repouso em caso de doença. De qualquer maneira, o quadro era sombrio em 2 de novembro de 1918, Dia de Finados (“Nunca o dia dos mortos foi tão propriamente um dia de mortos como o de hoje”, dizia a manchete de A Noite).

No Rio de Janeiro morreram cerca de 12 mil pessoas em dois meses. Na cidade, como faltavam coveiros, presidiários foram convocados para fazer esse trabalho. Os corpos muitas vezes eram transportados em bondes. Os hospitais não tinham vagas e a hospitalização, por sua vez, não evitava o óbito. No Hospital Deodoro, na Glória, os cadáveres formavam uma pilha de 2 metros de altura. As ruas estavam desertas; as pessoas não se atreviam a sair. Em Porto Alegre, foi criado um cemitério especialmente para as vítimas da gripe. Em todo o país foram cerca de 35 mil mortos. Nos últimos meses de 1918, uma esperança: o novo presidente seria Rodrigues Alves, conhecido por ter livrado, em seu primeiro mandato, a capital Rio de Janeiro de epidemias de febre amarela, peste e varíola. Mas ele não chegou a assumir o cargo. Morreu em 16 de janeiro de 1919, de gripe espanhola.

Dormindo com o inimigo
A virologia progrediu imensamente com o susto de 1918. Mas só em 1933 o vírus da gripe foi isolado pela primeira vez, por Andrew, Smith e Laidlaw, na Inglaterra. Mas não era o agente causador da espanhola. Como era esse vírus? A dúvida persistia e motivou conhecidos pesquisadores, como os americanos Jeffery K. Taubenberger e Johan Hultin. Eles encontraram o vírus em cadáveres preservados pelo frio. Em 1951, os cientistas da Universidade de Iowa exumaram corpos de vítimas da gripe sepultados no Alasca. Uma outra fonte de possível material eram amostras de tecidos obtidas em necrópsias realizadas em 1918, que eram preservados em parafina. Os esforços deram resultado. Uma amostra de tecido pulmonar de um soldado americano forneceu aquilo que Taubenberger e seus colaboradores ansiosamente buscavam: fragmentos intactos da substância viral, cuja composição pôde ser identificada. O mesmo se encontrou na amostra de um segundo cadáver.

Hultin, por sua vez, isolou material viral dos pulmões de uma mulher da etnia inuit, conhecida como “Lucy”, sepultada no Alasca. Taubenberg foi além e, em 2002, conseguiu criar um vírus com os genes mais letais do espécime de 1918 (esse revelou-se mais agressivo para os animais de laboratórios do que os outros ”fabricados” com genes do vírus da gripe habitual). O argumento para esse tipo de estudo é o de conhecer melhor o “inimigo”, identificar sua estrutura e descobrir como ela muda. Muitos cientistas, contudo, fazem objeções a esse trabalho. Alegam que já temos um número suficiente de vírus gripais estudados e que “ressuscitar” o vírus de 1918 significaria “libertar o demônio”. Mas o receio de toda a comunidade é óbvio, sobretudo em uma época que transformou a guerra bacteriológica em ameaça e em obsessão. Como observou outro pesquisador, Jan van Aken, se Jeffery Taubenberger estivesse trabalhando num laboratório russo, chinês ou iraniano, seria visto como um inimigo em potencial.

Da Espanhola à Sars
A gripe de 1918 continuou provocando ondas de choque que chegaram até nossos dias. Cada vez que surgiam casos novos da doença era aquele calafrio: será que a espanhola está voltando? Cepas do vírus da gripe com material genético recentemente incorporado causaram pandemias em 1957 e 1968. A pandemia de 1957 ficou conhecida como gripe asiática, por ter se iniciado na China e na Indonésia. No Brasil, a asiática foi diagnosticada primeiro no Rio Grande do Sul, sendo logo depois detectada no Rio de Janeiro e em São Paulo. Uma nova causa de alarme surgiu em 1976: recrutas de Fort Dix, nos Estados Unidos, contraíram uma doença gripal que levou um deles à morte. Dessa vez o agente causador da doença foi isolado. Era um vírus de gripe suína. Ora, muitos cientistas achavam que a gripe de 1918 tinha sido exatamente isso, uma virose transmitida pelos porcos aos seres humanos. O pânico chegou aos altos escalões do governo americano, na administração do presidente Gerald Ford.
Era véspera de eleições e uma epidemia poderia ter sérias conseqüências políticas. Uma vacina foi preparada às pressas e, em meio a discussões, aplicada em 40 milhões de pessoas. Várias delas tiveram problemas neurológicos (a síndrome de Guillain-Barré), o que só fez aumentar a controvérsia. No fim, a epidemia não ocorreu. Uma outra fonte de infecção foi identificada em 1997, em Hong Kong, quando 18 pessoas foram infectadas por um vírus comum em aves. Isso gera uma alarmante analogia com o vírus da Sars, que possivelmente veio de aves na China.

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Pandemia causada pelo vírus Influenza causa terror e
morte em todo o planeta – Combatentes em ambas as trincheiras são derrubados
pela Gripe Espanhola – No Brasil, moléstia traz pânico às ruas

Rastro sombrio: galpão lotado de soldados contaminados pelo implacável vírus; no mundo, já são milhões de cadáveres

uando se pensava que nada poderia ser mais devastador do que a fúria das colossais bombas e metralhadoras da Grande Guerra, eis que um ente microscópico, sem pedir licença, avançou igualmente por campos de batalha e regiões em paz para deixar um rastro sombrio de desespero e morte. Desde que apareceu, em fevereiro deste ano, até agora, a pandemia do Influenza, batizada Gripe Espanhola, tem índice de mortalidade fulminante e já rivaliza com a Peste Negra como o maior holocausto médico da história. Cientistas trabalham em ritmo acelerado para tentar frear o vírus – sem sucesso, como atestam os milhões e milhões de cadáveres verificados apenas nas primeiras 25 semanas da doença em locais tão distantes como a França, a Índia, os Estados Unidos, a África do Sul, a Austrália e o Brasil. O fim da guerra e a conseqüente desmobilização dos exércitos podem, em teoria, ajudar a diminuir a disseminação do vírus. Em teoria. Na prática, ninguém sabe como, nem se é possível, parar o irascível Influenza.


Além das armas, o vírus: tropa americana no enterro de colega vítima da doença
Quando primeiro se noticiou um surto nas trincheiras da França, em março, com soldados apresentando dor de cabeça, dor de garganta e perda de apetite, a recuperação ainda era rápida – médicos apelidaram a doença de “febre dos três dias”. As baixas eram pequenas, e concentradas nos Estados Unidos e Europa. Em agosto, contudo, o vírus ganhou o mundo, e em versão mutante e fatal, já sob o epíteto Gripe Espanhola – o batismo explica-se pelo fato de que a imprensa da Espanha, sem a censura imposta aos países em guerra, foi a primeira a noticiar a pandemia. Os doentes pereciam pouco tempo após os sintomas: além de febre e dor de cabeça, falta de ar, rostos marrons ou roxos e pés pretos. Os pulmões dos vitimados enchem-se de fluidos e o afogamento é fatal. Quem não sucumbe de imediato, frequentemente morre devido a complicações da gripe, como a pneumonia. Outro fato intriga os cientistas: ao contrário da gripe comum, que atinge principalmente recém-nascidos e idosos, a Gripe Espanhola tem um pico de infecção de 20 a 40 anos. O motivo, como diversos outros, segue desconhecido.

Nesse cenário, soldados de ambos os lados das trincheiras vinham tombando dia após dia. Os aliados – notadamente americanos e franceses – sofreram demais o impacto da pandemia; mas foi no lado oposto que a Gripe Espanhola se verificou ainda mais fatal, ao menos em termos militares. Analistas avaliam que as baixas alemãs e austro-húngaras causaram estragos irreparáveis – com seus exércitos operando no limite, não havia como repor a mão-de-obra ceifada pelo Influenza –, e contribuíram para a queda e a consequente capitulação. Igualmente terríveis têm sido os relatos da pandemia em locais não afetados pela guerra: na Índia, calcula-se que mais de 10 milhões de pessoas já tenham morrido.


'Diga aaa!': médico examina um soldado
De Dacar para Recife – A nova doença já traz pânico também no Brasil. Rio, São Paulo e Curitiba contabilizam milhares de mortos; a Diretoria Geral de Saúde Pública entrou em ação e chamou o sanitarista Carlos Chagas para chefiar a campanha contra a gripe. O discípulo de Oswaldo Cruz criou hospitais e laboratórios improvisados. Acredita-se que o Influenza, em sua forma assassina, tenha chegado a Recife no final de setembro, por meio do retorno de marinheiros que prestaram serviço militar em Dacar. Outros apontam o navio inglês Demerara, que aportou em Salvador naquele mesmo mês, como o portador do vírus. Seja como for, a Gripe Espanhola já interfere também na vida política do país – acometido pela moléstia, o presidente eleito Rodrigues Alves não pôde ser empossado para o início de seu segundo mandato, no último dia 15. O vice Delfim Moreira assumiu interinamente em seu lugar.


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quarta-feira, 8 de abril de 2015

O BNDES na sua vida

A Empresa

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empresa pública federal, é hoje o principal instrumento de financiamento de longo prazo para a realização de investimentos em todos os segmentos da economia, em uma política que inclui as dimensões social, regional e ambiental.
Desde a sua fundação, em 1952, o BNDES se destaca no apoio à agricultura, indústria, infraestrutura e comércio e serviços, oferecendo condições especiais para micro, pequenas e médias empresas. O Banco também vem implementando linhas de investimentos sociais, direcionados para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano.

O apoio do BNDES se dá por meio de financiamentos a projetos de investimentos, aquisição de equipamentos e exportação de bens e serviços. Além disso, o Banco atua no fortalecimento da estrutura de capital das empresas privadas e destina financiamentos não reembolsáveis a projetos que contribuam para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico.
Em seu Planejamento Corporativo 2009/2014, o BNDES elegeu a inovação, o desenvolvimento local e regional e o desenvolvimento socioambiental como os aspectos mais importantes do fomento econômico no contexto atual, e que devem ser promovidos e enfatizados em todos os empreendimentos apoiados pelo Banco.
Assim, o BNDES reforça o compromisso histórico com o desenvolvimento de toda a sociedade brasileira, em alinhamento com os desafios mais urgentes da dinâmica social e econômica contemporânea.

Começa processo de beatificação de Dom Hélder Câmara

Começa processo de beatificação de Dom Hélder Câmara

Publicado por Anneliese Pires

Com informações da Rádio Jornal

LANÇAMENTO Elias Roma Filho lança livro sobre Dom Hélder Câmara

Dom Helder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, falecido em 1999, agora é um Servo de Deus. Este título foi concedido pelo Vaticano e marca o início do processo de beatificação e canonização do “Dom da Paz”. Os detalhes sobre os procedimentos para que o religioso seja considerado Santo oficialmente pela Igreja foram divulgados, nesta quarta-feira (8), em coletiva de imprensa, na sede da Cúria Metropolitana do Recife.

O processo deve ser oficialmente aberto com uma missa, marcada para o dia 3 de maio, na Catedral da Sé, em Olinda, às 9h. Na ocasião, vai ser instalado um tribunal com o objetivo de receber e analisar os textos e depoimentos de pessoas que tiveram contato com Dom Hélder. De acordo com o arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, qualquer um pode entregar ao tribunal materiais, a exemplo de fotos ou cartas.

Concluídos, os relatórios devem ser enviados ao Vaticano e analisados. Com o aval do Papa Francisco, o Dom da Paz recebe o título de Venerável Servo do Senhor. Só depois de anexadas outras provas de santidade, o religioso torna-se Beato para ainda ser considerado Santo. Tudo isso não tem prazo para ser concluído e pode durar anos.

O frei Jociel Gomes foi escolhido pela arquidiocese como o organizador do processo no Recife. Ele aponta que outros dois nomes marcantes para a história de Pernambuco também estão com processo de beatificação e canonização em andamento no Estado: Frei Damião e Dom Vital.

Dom Hélder Câmara era cearense e ficou conhecido pela luta em defesa dos pobres. Os restos mortais dele estão na Catedral da Sé, em Olinda.

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terça-feira, 7 de abril de 2015

Polícia e manifestantes entram em confronto no Congresso em protesto contra lei de terceirização

Polícia e manifestantes entram em confronto no Congresso em protesto contra lei de terceirização

terça-feira, 7 de abril de 2015

BRASÍLIA (Reuters) - Manifestantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de outros movimentos sindicais entraram em confronto com a polícia em frente ao Congresso Nacional nesta terça-feira, durante protesto contra votação da lei de terceirização no mercado de trabalho.

Policiais utilizaram spray de pimenta e bombas de gás para responder a manifestantes que lançavam objetos como pedaços de madeira e bandeiras contra um cordão de isolamento montado pela polícia em frente ao Congresso.

Um manifestante foi encaminhado ao departamento médico da Câmara para receber atendimento após sofrer ferimentos na cabeça, de acordo com a Agência Câmara Notícias. Outros dois manifestantes e um policial também ficaram feridos, e o deputado Vicentinho (PT-SP) precisou receber atendimento depois de ser atingido por spray de pimenta, segundo a agência.

Ao menos um manifestante foi detido pela polícia, de acordo com imagens de TV.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e a Central dos Movimentos Populares (CMP), entre outros movimentos, convocaram protestos nesta terça em diversas cidades.

A principal reivindicação é contra a votação do projeto de lei no Congresso que libera a contratação de terceirizados para todas as empresas.

De acordo com os grupos contrários ao projeto de lei, a proposta "tira dos trabalhadores direitos duramente conquistados e dá aos patrões segurança jurídica para contratar do jeito que quiser", segundo nota no site da CUT, que lidera o movimento.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), descartou mais cedo nesta terça-feira adiar a votação do projeto sobre a terceirização em análise no Plenário e disse que seria analisado assim que a pauta da Casa for destrancada por uma medida provisória. [nL2N0X412J]

O projeto de lei que regulamenta a terceirização permite que empresas contratem trabalhadores terceirizados para exercer qualquer função na companhia, e não apenas para a chamada atividade-meio, como ocorre atualmente. Empresários e indústria defendem o projeto, enquanto alguns sindicatos e o PT são contra.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Lula reforça apelo por nova articulação

Lula reforça apelo por nova articulação
 Estadão Estadão
VERA ROSA / BRASÍLIA

Preocupado com os novos protestos previstos para o dia 12, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as cobranças sobre o governo e quer que Dilma Rousseff mude com urgência a articulação política do Palácio do Planalto, sob pena de trilhar um caminho sem volta. Para ele, a presidente não pode mais esperar e precisa mexer nos interlocutores com o Congresso, que se transformou em uma trincheira contra o governo após a Operação Lava Jato.

"Mercadante vive falando de rating para cá, rating para lá. Que rating que nada! A crise é política e o governo tem que resgatar a confiança. O resto acontece naturalmente", disse Lula, em recente conversa com um senador do PT, numa referência ao ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Nos últimos dias, tanto Mercadante como o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmaram que o ajuste fiscal é necessário para manter o grau de investimento no País, com uma nota de crédito (rating) elevada. Lula, porém, escolheu Mercadante como alvo das críticas.

O ex-presidente não esconde a contrariedade com o fato de Dilma manter o chefe da Casa Civil no comando da articulação com o Congresso. No varejo das negociações com os parlamentares está Pepe Vargas, titular da Secretaria de Relações Institucionais, mas é Mercadante quem dá a linha política.

Rearranjo

Em mais de uma ocasião, Lula aconselhou Dilma a transferir essa função para Jaques Wagner, hoje ministro da Defesa, e pôr no lugar de Pepe um nome do PMDB, como o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, ligado ao vice-presidente Michel Temer. Dilma, no entanto, resiste à troca. Diante desse quadro, o PMDB entende que o atual modelo da articulação deixa o ocupante da Secretaria de Relações Institucionais como uma "rainha da Inglaterra" e não quer assumir a tarefa.

Na avaliação de Lula, a raiz da crise é política, mas, como o governo não consegue dissipar as turbulências com os aliados, o problema contamina a economia. A instabilidade se agravou com a inclusão dos presidentes do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), ambos do PMDB, na lista de investigados por denúncias de corrupção na Petrobrás, no rastro da Lava Jato.

Ao saber na quarta-feira da acentuada queda na taxa de aprovação de Dilma, apontada pela pesquisa CNI/Ibope, a reação de Lula foi de quem já esperava o resultado. O levantamento mostra que 64% dos brasileiros consideram a gestão de Dilma "ruim ou péssima". Para piorar, outras pesquisas em poder do PT indicam que o desgaste de Dilma e a Lava Jato também atingem a imagem do ex-presidente, hoje o principal nome do partido para a eleição de 2018.

No diagnóstico de Lula, somente uma forte reação do Planalto, com ações que dialoguem com a sociedade, é capaz de reverter o mau humor da população e evitar um quadro irreversível para a presidente.

Sem dinheiro para novos programas, Dilma anunciou que enxugará os gastos, apostando na atração de investimentos privados com a concessão de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. O corte no Orçamento pode atingir R$ 80 bilhões.

O temor de Lula e do PT é de que um ajuste nessas proporções paralise a economia e afaste ainda mais o partido de sua base social. Com esse argumento, parlamentares pressionam a equipe econômica a suavizar as medidas que endurecem as regras para o seguro desemprego.

"É problema que a sociedade não tenha sido consultada sobre as medidas e que o peso do 'ajuste' proposto tenha recaído mais sobre os trabalhadores do que sobre outros setores das classes dominantes", diz manifesto da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no PT e integrada por Lula.

Escrito para nortear os debates do 5.º Congresso do PT, em junho, o documento endossa críticas de alas radicais às ações do governo para pôr a economia nos trilhos. "Essas práticas foram em grande parte responsáveis pelo mal-estar de muitos movimentos sociais que lutaram pela eleição de Dilma e que, hoje, se encontram perplexos e frustrados com as primeiras medidas do governo", diz o texto.

Para a tendência Mensagem ao Partido - grupo do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo -, o Planalto precisa superar o impasse provocado por promessas não cumpridas. "O segundo governo Dilma se iniciou com clara inflexão conservadora na gestão macroeconômica, contraditória com o programa eleito", destaca o documento, escrito pelo ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro.

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Dilma garante que ajustes na economia não afetarão programas de educação

Dilma garante que ajustes na economia não afetarão programas de educação
segunda-feira, 6 de abril de 2015
 Presidente Dilma Rousseff na posse do novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, no Palácio do Planalto. 06.04.2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff garantiu nesta segunda-feira que os ajustes na economia brasileira não afetarão os programas "essenciais" do Ministério da Educação e aproveitou para defender o regime de partilha para exploração do pré-sal como uma fonte de financiamento para o setor.

Ao discursar na posse do novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, a presidente disse que o Fies (programa federal de financiamento a universitários) terá continuidade com ganhos de qualidade e todos contratos existentes até 2014 serão renovados.

"Eu garanto às brasileiras e brasileiros que a necessidade imperiosa de promover ajustes na nossa economia, reduzindo despesas do governo, não afetará os programas essenciais e estruturantes do Ministério da Educação", disse a presidente na cerimônia.

"O Fies terá continuidade com ganhos de qualidade e mais controle pelo Estado", acrescentou.

O governo federal vem promovendo mudanças nas regras de financiamento. A própria Dilma afirmou, no fim de março, que houve "distorções" no programa e que o governo irá bancar o reajuste das mensalidades em até 6,5 por cento.

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, afirmou no fim de março que o governo iria revisar os contratos do Fies para evitar reajustes abusivos nas mensalidades.

Renato Janine Ribeiro assumiu o Ministério da Educação no lugar de Cid Gomes, que deixou o cargo após tensão com parlamentares e uma sessão conturbada na Câmara dos Deputados.

RECUPERAÇÃO DA PETROBRAS Dilma aproveitou o evento para defender o regime de partilha para exploração do petróleo da camada do pré-sal, como uma forma de garantir recursos para a educação, e defendeu a recuperação da Petrobras PETR4.SA, envolvida em um escândalo de corrupção.

"Eu tenho certeza que a luta para recuperação da Petrobras que está em curso... é minha, é do meu governo e eu tenho certeza interessa a todo povo brasileiro", disse.

Segundo a presidente, o que está em jogo nessa luta pela Petrobras e pelo controle do pré-sal é a soberania, o futuro do país e a educação.

A presidente aproveitou para afirmar que a exploração do pré-sal já não é mais uma "promessa, é uma realidade", servindo de fonte para o financiamento de investimentos na área da educação. Segundo as regras desse regime de exploração, recursos dos royalties e do rendimento do Fundo Social serão destinados à educação e saúde.

"Não é coincidência que à medida que cresce a produção do pré-sal ressurjam ainda algumas vozes que defendem a modificação do marco regulatório que assegura ao povo brasileiro a posse de uma parte das riquezas", disse.

"Nós não podemos nos iludir. O que está em disputa é a forma de exploração desse patrimônio e quem fica com a maior parte", afirmou.

A oposição tem questionado o modelo de partilha e defendido que exploração do pré-sal ocorra sob o regime de concessão.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O Clube de Mães dos Moradores do Alto do Refúgio um exemplo de solidariedade cidadã









Fundada  em 30 de agosto de 2012

O Clube de Mães dos Moradores do Alto do Refúgio é uma instituição (ONG) sem fins lucrativos criada há 30 anos, presidida atualmente por Maria Gomes (Maria Pequena).

O Clube de Mães dos Moradores do Alto do Refúgio é uma instituição (ONG) sem fins lucrativos criada há 30 anos. Fundado no dia 07 de julho de 1982 pela senhora Maria Francisca da Conceição, mais conhecida como Maria Grande.

Atualmente o Clube de Mães atende mais de 2000 mil crianças e adolescentes na comunidade do Alto do Refúgio e comunidades próximas no bairro de Nova Descoberta em Recife-PE. Atualmente a ONG é presidida pela senhora Maria Gomes, mas conhecida como Maria pequena.
Missão
Acreditamos em uma sociedade mais justa para todos, por isso, estamos há 30 anos lutando para que essa justiça transforme de fato nossa sociedade, para crianças adolescentes e famílias de nossa e outras comunidade, onde temos alcançados ótimos resultados.
Vocês são um exemplo de solidariedade e ajuda mútua, Eu estou comovido com o seu trabalho. Saber que no mundo de hoje existe pessoas preocupadas com o bem-estar de irmãos menos favorecidos é brilhante é um grande mérito um gesto de humanidade tem todo o meu apoio (Professor Alarcon)

Telefone
(081) 3265-7561

E-mail
maesdoreffugio@gmail.com

Site
http://clubedemaesdoaltodorefugio.blogspot.com.br/

LIVRO DE JÓ



LIVRO DE JÓ


"Por que sofrem os justos, se Deus é um Deus de amor e misericórdia?"
Este trabalho tem por objetivo mostrar a importância em conhecer a história de Jó, pois é uma das mais comoventes da Bíblia. Nela descobrimos a origem e a finalidade dos sofrimentos. Ensina claramente a soberania divina e a necessidade humana de reconhecê-la.
A história de Jó tem sido um motivo de consolação para os que sofrem. Não se trata de um mito, e sim de um fato real que serviu de referência para os outros autores bíblicos, como Ezequiel (Ez. 14.14) e Tiago (Tg. S. 10, 11).
E, indubitavelmente, ao concluir esta pesquisa estaremos mais informados que há sofrimentos que não são conseqüência de pecados cometidos pela pessoa, mas que são permitidos por Deus para fortalecer a nossa fé, revelar o verdadeiro caráter cristão e depurá-lo.

INTRODUÇÃO


O maior exemplo de sofrimento na Bíblia é o de Jó. Homem materialmente próspero, sincero, reto e temente a Deus, predicados de fazer inveja aos arautos da doutrina da prosperidade. No entanto, ele é a maior prova de que o crente pode experimentar o sofrimento e perder todos os seus bens sem que esteja amaldiçoado, como insinuaram os seus amigos e apregoam alguns que em tudo vêem pecado, maldição e rebeldia contra Deus.

Jó não contou sequer com o apoio da esposa, que, olhando sob a ótica humana, não entendia a razão de tamanha dor.

Ele permaneceu fiei, ainda que não soubesse que por trás de tudo Deus contendia com o Diabo para provar a sua fidelidade. Para Jó, sofrimento; para Deus, prova de sua absoluta confiança no patriarca.

Muitos acham que quando Deus não cura é simplesmente falta de fé (teologia da prosperidade). Mas a palavra de Deus ensina o contrário. A fé aceita a cura, mas também produz segurança para passar pelo vale da sombra da morte, se esta for à vontade de Deus. Sabendo-se que até os fios de cabelo de vossa cabeça está sob a potente mão de Deus.

AUTORIA E TÍTULO


A etimologia do nome de Jó é um tanto incerta. Conforme JUNIOR, Gleason L. Archer "deríva-se do hebraico 'lyyõb', que significa provavelmente 'voltar' ou 'arrepender-se', ou ainda' quem volta para Deus".
Esta interpretação é baseada no árabe abã, "arrepender-se", ou "voltar para trás". A ortografia árabe do nome seria awwãbun.
Outra etimologia possível para SILVA, José Apolônio da (1986:13) 21 edição: "ãyeb, que significa 'odiar', 'estar em inimizade, ou objeto de inimizade" (segundo o autor Lexicon de Brown - Driver - Briggs).

Autor

O texto desse livro não indica o seu autor, e não há nenhuma tradição consistente quanto ao compositor desta obra, nem sequer nos círculos rabínicos.

Conforme MEARS, Henrietta C. (1991:32) 31 edição: "A tradição judaica admite Moisés como seu autor, e afirma que ele o escreveu quando estava em Midiã, pois este país limitava-se com a terra em que Jó residia"

De acordo com ELLISEN, Staniley A. (2000:151): "Não podemos afirmar que foi Moisés nem Salomão, Elifaz ou Bildade. O que importa, é que os ensinamentos do livro são obras magníficas e esplêndidas de um grande filósofo e poeta".

Cenário Histórico
Data dos acontecimentos registrados - período patriarcal

1) Como algumas vezes os acontecimentos de Jó são questionados quanto à sua base histórica, vejamos as razões fundamentais para manter a sua historicidade:
a) Jó é identificado como habitante de Uz, e não de um lugar fictício (1.1);
b) a Palavra de Deus através de Ezequiel e Tiago refere-se várias vezes à historicidade de Jó, bem como de Noé e Daniel (Ez. 14.14,20; Tg. 5.11);
c) ele está incluído entre os "justos e pacientes". Não é uma pessoa imaginária como pensam alguns racionalistas. Sendo as escrituras a Palavra de Deus, todos os argumentos contrários são sem valor (Mt. 24.35).
2) O cenário patriarcal dos acontecimentos (entre Abraão e Moisés) é geralmente aceito devido às seguintes considerações:
a) O chefe da família que oferece sacrifícios, ao invés dum sacerdócio oficial, indicaria uma época pré-mosaica;
b) o livro indica um tipo de organização patriarcal de famílias e clãs que faz lembrar a época de Abraão muito mais do que as condições após o êxodo;
c) a citação de qesitah (hebraico) como valor em dinheiro (Jó 42.11) sugere uma data que remonta até no mínimo Josué (cf. Js. 24.32), ou talvez o período dos patriarcas (cf. Gn. 33.19).

AS CATÁSTROFES DE JÓ

Para RYRIE, Charles Caldwell (1991:191) 11 edição: "As catástrofes que ocorreram tinha como objetivo expor os verdadeiros motivos pelos quais Jó servia a Deus, que Satanás alegava serem egoistas".

O personagem em questão era o maior de todos do Oriente, possuía 7.000 ovelhas, 3.000 camelos, 500 juntas de bois e 500 juntas de ovelhas. Além disso, tinha Jó uma vasta criadagem a seu serviço (cf. Jó 1.3).

Segundo SOARES, R. R. (líder da teologia da prosperidade): "A riqueza é um sinal das bênçãos divinas, se há lucro é porque tudo está bem, e havendo contratempos e prejuízos, é porque há pecado e julgamento". Ou seja, sofrimento e derrota.

Nem sempre a prosperidade material é sinal de que há um relacionamento direito para com Deus. Jacó, enganando seu sogro no caso das ovelhas prosperou muito (Gn. 30.37-43).

Para RYRIE, Charles Caldwell (1991:187) la edição: "Jacó colocou ramos parcialmente descascados de certas árvores em frente dos bebedouros para estimular os animais à atividade produtiva reprodutora. Jacó, pastor experiente, também praticou reprodução seletiva (Gn. 30.40-42)" Atribuiu, todavia, a sua prosperidade à intervenção de Deus (cf. 313,9).

No caso de Jó, suas qualidades eram invejáveis, pois ele era: temente a Deus desviava do mal e era íntegro.

Porém, de repente a tempestade desabou sem qualquer aviso. Foi uma série de golpes tão rápidos que mal um ocorria logo um outro se lhe sucedia.

Jó na Adversidade

Ao ter a retidão apontada por Deus, Satanás disse que se devia ao fato de ele possuir bens materiais, os quais, se fosse tirado, ele logo blasfemaria de Deus. Jó perdeu toda a sua riqueza (Jó 1. 12).

Os sabeus: beduínos nômades que viviam na região de Uz e ao sul mataram os servos de Jó e lavaram os bois (Jó 1.15);

os caldeus: levaram os camelos de Jó (1.17);

um raio (1.16);

um grande vento da banda do deserto, derrubou a casa em que se encontrava seus filhos, morrendo todos (1.18,19). Nem bem havia descansado das informações da perda dos bens materiais, logo chegou a péssima notícia da morte de todos os seus filhos. Tais acontecimentos não levaram Jó a blasfemar contra Deus. Ele adorou a Deus (1.21)

Perda da Saúde Física (Jó 2.1-17)

Deus apontou a Satanás a justiça inalterada de Jó diante dos fatos ocorridos, ao que o acusador disse que isso se devia à saúde física que ele possuía (cf. v.6),

A Bíblia não diz o nome da enfermidade, e que de acordo com SILVA, José Apolônio da (1986:15) 2a edição: “... seria uma espécie de úlcera, que geralmente resultava em morte". O que sabemos é que ele foi ferido de uma chaga maligna por todo o corpo.

Para RYRIE, Charles Caldwell (1991:193) 1ª edição: “... seria algum tipo especialmente maligno de câncer ou elefantíase..." O que o registro sagrado revela é que a doença tinha vários sintomas:

toda a sua pele foi afetada (2.7);
sofreu de prurido generalizado (2.8);
foi acometido de intensas dores (2.13);
sua pele putrefata atraía vermes e acabava criando uma crosta e purulenta (7.5; 30.30)
sentia febre e dor nos ossos (30.17,30)

Segundo BICEGO, Valdir (1996) lições do 2º trimestre: "nem todos os males são de origem satânica",
Referindo-se às enfermidades a Palavra de Deus é categórica e nos apresenta, pelo menos quatro causas:

1) Para glória de Deus, como o cego de nascença que Jesus curou (Jo. 9. 1-7);
2) perturbação maligna, como a mulher encurvada, liberta por Jesus (Lc. 13.10-16); 3) por participação indigna na ceia do Senhor (I Co. 11.28-30);
4) provação, como foi no caso de Jó.

A Perda do Incentivo da Esposa
Conforme SILVA, José Apolônio (1986:16): "Parece que a esposa de Jó não era temente a Deus". Em todo o livro, uma única vez se faz referência a ela, sem mencionar seu nome.

Se não fosse as suas palavras de impiedade contra Deus e seu marido. A esposa de Jó, olhando, exclama: "Alguma coisa está errada. Sua religião é um fracasso. Amaldiçoa a Deus e morre". Esta é a voz do desespero. Esta, em vez de compartilhar com ele a perda de tudo, e ser solidária em sua doença, o incentivou a amaldiçoar Deus e morrer; ao que ele respondeu que ela falava como uma doida (2.9,10).

De acordo com MEARS, Henrietta C. (1991:34): "O companheirismo é importante para vitória do casal" Muitas vezes a natureza humana incentiva os homens, a serem incompreensíveis nos momentos da adversidade. No entanto, a Palavra de Deus recomenda-nos em Eclesiastes 4.9-12, o contrário.
Perda dos Parentes e Amigos
Diante de terrível situação em que Jó se encontra, tanto os parentes como os amigos afastaram-se dele (17.6; 19.13-19; 30.9-12). Nesta ocasião, seus amigos o cercaram com palavras que tentassem explicar a origem do seu sofrimento. Embora estes homens dissessem muitas coisas certas, não disseram a verdade completa.

Atualmente, existem os falsos de Jó, fazendo as mesmas críticas aos crentes fiéis quando estes sofrem. Podemos resumir em quatro pontos os discursos dos amigos de Jó:

Afirmam que o sofrimento é o resultado do pecado. Assim sendo uma pessoa estiver aflita, deve-se concluir que está em pecado;
a medida da aflição indica o grau de pecado. Argumentam que, sendo Jó o homem que mais sofria, devia ser ele o maior dos pecadores;
dizem a Jó que, se ele se arrependesse dos seus pecados, Deus lhe restauraria a felicidade;
admitem que algumas vezes os ímpios prosperam, mas que esta prosperidade é passageira, porém, a retidão divina permanece.

Conforme GILBERTO, Antônio (1986:34): "...se um dia viéssemos nos encontrar na situação de Jó, como seria o nosso comportamento? É fácil julgar os outros, mas é melhor que, enquanto temos tempo, façamos a nossa autocrítica".

A RESIGNAÇÃO DE JÓ


Jó deve servir de exemplo para todos nós. Tomemos o conselho de Tiago 5.11: "Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu".

A prosperidade material de Jó foi destruída para provar a correção ou incorreção das insinuações satânicas acerca da sinceridade e da piedade de Jó.

Embora ele desconhecesse os motivos que levaram a perdas profundas, aceitou tudo como vindo da parte do Senhor. Conservou a sua fé viva em Deus (Jó 19.25,26), teve paciência (Tg. 1. 10, 11). Aceitou tudo com resignação, não pecando em coisa alguma contra o seu criador (Jó 1. 22; 2. 10).
Deus muda o cativeiro de Jó, proporcionando:
Restabelecimento da sua saúde (Jó 42.10);
restabelecimento de seus bens (42.10-12);
restabelecimento de seus filhos (42.13-15);
restabelecimento de seus amigos e parentes (42.11).

CONCLUSÃO


A visão linear da história faz com que o homem só enxergue no sentido horizontal e só veja o momento presente, não compreendendo, portanto, em que poderá resultar o sofrimento pessoal.

Ele não vê o tudo. Mas a visão de Deus é global. Ele vê o fim desde o princípio e sabe que mais adiante o sofrimento produzirá um peso de glória para aquele que o experimentou, mesmo que circunstancialmente não o entenda.

O sofrimento, para o cristão, tem como propósito exercitar a disciplina e moldar o seu caráter espiritual, assim como o ouro é refinado no fogo.

Vale salientar que, não foi Deus quem introduziu o sofrimento no mundo, como alguns na sua revolta afirmam, Há ocasiões em que sua origem poderá ser fruto de atitudes erradas, isto é, a lei da semeadura, ela é inexorável. O que se planta, colhe-se.

Uma outra fonte poderá ser um fruto da negligência, exemplificando: se alguém por descuido, resvalar no abismo, vai esborrachar-se no chão porque está infringindo a lei da natureza. E em determinadas circunstâncias pode ser uma intervenção de Deus para a manifestação da sua glória, o caso de Jó.


BIBLIOGRAFIA

JUNIOR, Gleason L. Archer. Merece Confiança o Antigo Testamento. 3ª edição. São
Paulo: Vida Nova, 1984.

MCNAIR, S. E. A Bíblia Explicada. 9ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.

MEARS, Henrietta C. Estudo Panorâmico da Bíblia. 3a edição. São Paulo: Vida,
1991.

RYRIE, Charles Caldweli. A Bíblia Anotada. 1ª edição. São Paulo: Mundo Cristão,
1991.

SILVA, José Apolônio da. Síntese Bíblica do Velho Testamento. 2ª edição. Rio de
Janeiro: CPAD, 1986.

http://professorpauloandrade.blogspot.com.br/

Crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo

 "Cristo crucificado entre dois ladrões", pintura de Peter Paul Rubens [Public domain], via Wikimedia Commons

Crucificação de Jesus Cristo

Por Ana Lucia Santana

O período que antecede a morte de Jesus na Cruz é conhecido como Paixão. Nestes instantes ele verte sobre a Humanidade seu sacrifício maior, em corpo e alma, talvez mais no sentido espiritual do que físico, ao perceber a incompreensão daqueles a quem veio salvar de seus pecados. Os ensinamentos de Jesus não foram bem recebidos pela hierarquia judaica, principalmente pelos sacerdotes do Templo, em grande parte fariseus, pois suas pregações contrariavam profundamente seus interesses. Um exemplo disso é o incidente ocorrido no Templo de Jerusalém, na época da Páscoa.

Era costume dos judeus realizar oferendas a Deus durante as celebrações pascais. Estas ofertas incluíam basicamente animais ou dinheiro. Parte delas era incinerada em louvor ao Pai, a outra era repartida entre os sacerdotes e os pobres. Muitos adquiriam suas oblações na entrada do templo, além de realizar operações de câmbio, trocando moedas gregas e romanas por judaicas. Isto significa que um lugar considerado sagrado, um símbolo hebraico, estava sendo profanado por intensas transações comerciais. Obviamente os religiosos lucravam com essas negociações. Jesus protestou contra esse estado de coisas, denunciando a corrupção sacerdotal. Seu gesto atingiu em cheio esta classe, desencadeando a partir deste momento uma maior perseguição e praticamente assinando sua sentença de morte, pois seus inimigos, que eram muitos, não descansariam até vê-lo pretensamente eliminado.
Antes de sua prisão, Jesus fez uma entrada vitoriosa em Jerusalém, sendo bem recepcionado pelo povo, que revestia seu caminho com panos e ramos de palmeira, e realizou a Última Ceia. Neste momento histórico ele prepara seus apóstolos para os futuros acontecimentos, reparte entre todos o pão e o vinho, deixando seu gesto de humildade e comunhão como herança para a Humanidade. É durante este ritual também que ele demonstra conhecer as intenções de Judas e lhe sinaliza que deve seguir adiante com seus propósitos. Na mesma noite Jesus vai para o Getsêmani, um jardim no Monte das Oliveiras, diante do Templo. Nesse instante começa sua agonia, quando ao orar a Deus ele transpira suor e sangue. Segundo o médico C. Trunan Davis, este sintoma é raro, mas pode ocorrer, em decorrência de um forte stress, que provoca um rompimento das glândulas sudoríparas, unindo o sangue ao suor. As conseqüências são fraqueza, choque e até hipotermia.

Neste local Jesus é preso, denunciado por Judas Iscariotes com um beijo. Segundo alguns, a sua prisão teria sido ilegal, pois durante as festividades da Páscoa, o Sinédrio – corte judaica – não podia se reunir e também não era permitido condenar ninguém ao longo da noite. Por este motivo o Mestre foi levado para a residência do Sumo Sacerdote. Sexta-feira pela manhã, Cristo foi conduzido até Pôncio Pilatos, governador da Judéia. A princípio, este o transferiu para Herodes Antipas, governante da Galiléia, pois Jesus era Galileu, mas ninguém queria ser diretamente responsável por sua condenação, então Ele voltou a ser enviado para Pilatos, que diante dos acontecimentos lavou suas mãos, ato que entrou para a História, e permitiu que o povo escolhesse entre Jesus e Barrabás qual seria o prisioneiro a ser libertado, tradição durante a Páscoa judaica. A multidão então condenou Jesus, deixando Pilatos sem saída, e assim foi decretado que Cristo morreria na cruz, pena comum entre os romanos.

A crucificação era inicialmente restrita aos escravos. Este tipo de execução tinha como objetivo incutir no prisioneiro vergonha e dor, e provocava profundo horror entre as pessoas. Ela tinha início com a flagelação do pretenso criminoso despido de suas vestes. Os soldados pregavam pregos e tudo que pudesse intensificar a tortura no azorrague - instrumento de tortura utilizado na Roma Antiga, composto de elementos cortantes - e muitos não resistiam ao açoitamento, não passando, portanto, desta primeira etapa. Jesus foi submetido a cada estágio desta condenação, o tempo todo humilhado, com uma coroa de espinhos improvisada na cabeça, o que provocava intensa dor e fortes sangramentos; na mão lhe colocaram um cetro de bambu, tudo aludindo à sua realeza, que foi interpretada como um reinado terreno, material. Ele suportou pancadas e zombarias, cuspiram nele e o obrigaram a levar sua própria cruz até o Monte Gólgota – que significa ‘Calvário’ -, onde seria crucificado. Esta caminhada representa o seu Calvário e, simbolicamente, o de toda a Humanidade.

Quando Jesus parece perder as forças, os soldados forçam um homem chamado Simão Cireneu a carregar este fardo ao longo de um trecho da jornada. O Messias chega ao seu destino, e no alto de sua cruz um dizer latino está inscrito INRI – Iesus Nazarenus Rex Iudeorum, Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus, reproduzido em grego e hebraico. Ela foi posicionada entre outras duas cruzes, nas quais estavam sendo executados dois ladrões. Os soldados ofereceram vinho e mirra para amenizar as dores de Jesus, mas ele não aceitou. O Mestre morreu três horas depois, sob intenso sofrimento físico, sem poder respirar, com terríveis cãibras por todos os seus músculos, em conseqüência da posição de seus braços; só consegue recuperar o fôlego por alguns momentos, quando pronuncia suas frases famosas na Cruz, pedindo a Deus que perdoe seus ofensores, pois não sabem o que fazem, e perguntando ao Criador porque o abandonou, mas logo depois se entregando incondicionalmente em Suas Mãos. A elite hebraica conseguiu matar o homem, mas não logrou eliminar seus pensamentos e ensinamentos, que se perpetuaram ao longo de milênios e resistem até hoje, apesar de todas as intempéries do caminho.


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